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Core Web Vitals: o que são LCP, INP e CLS — e quanto isso pesa

As três métricas, os limites atuais e a diferença entre o número do laboratório e o número que o Google usa de verdade.

Publicado em 29/09/2026 por Fernando Liell · 3 min de leitura

Core Web Vitals são três medidas que o Google usa para descrever a experiência de carregamento de uma página. Elas mudaram em 2024 — a métrica de resposta a interação foi trocada —, e a maior parte do material em português ainda descreve a versão antiga.

As três métricas e os limites

MétricaO que medeBomRuim acima de
LCP
Largest Contentful Paint
Quando o maior elemento visível termina de aparecer≤ 2,5 s4 s
INP
Interaction to Next Paint
Quanto a página demora a responder a um toque ou clique≤ 200 ms500 ms
CLS
Cumulative Layout Shift
Quanto o conteúdo se mexe sozinho durante o carregamento≤ 0,10,25

INP substituiu o FID em março de 2024. A diferença importa: o FID media só o atraso da primeira interação; o INP olha as interações ao longo de toda a visita e reporta praticamente a pior delas. É bem mais difícil de passar — e bem mais parecido com a experiência real.

O detalhe que muda tudo: campo, não laboratório

A avaliação não usa a nota do PageSpeed. Ela usa dados de visitas reais, e o critério é o percentil 75: pelo menos 75% das visitas precisam ficar na faixa boa. Não é a média — é quase o pior quarto dos seus visitantes.

Isso explica a frustração mais comum do assunto: nota 98 no teste e reprovação na avaliação real. O teste roda numa máquina rápida, num ponto de rede específico, uma vez. O dado real inclui o celular de sete anos numa conexão ruim. Se boa parte do seu público está nessa situação, o número que conta é o dele.

Há uma consequência prática desagradável: site com pouco tráfego pode não ter dado de campo nenhum. Sem volume suficiente, o Google não tem amostra para a sua URL e trabalha com o agregado do domínio, ou com nada. Nesse caso, otimizar o número do laboratório é o que sobra — mas sabendo que ele é um substituto, não a medida.

O que realmente move cada uma

  • LCP — quase sempre é uma imagem. Reduzir o arquivo, não adiar o carregamento do elemento de abertura, e não deixar o CSS bloquear a pintura. Um erro que vimos no nosso próprio site: a imagem de abertura marcada para carregamento adiado, o que atrasa exatamente o que precisava vir primeiro.
  • INP — é JavaScript ocupando a linha principal. Script de terceiro, chat e rastreamento são os suspeitos habituais. Adiar o carregamento deles costuma render mais do que otimizar o próprio código.
  • CLS — imagem sem width e height, anúncio que entra empurrando o texto, fonte que troca e muda a altura da linha.

Uma nuance honesta sobre o CLS

Quando auditamos este site, nenhuma das 25 imagens tinha dimensão declarada — o clássico causador de CLS. Medimos esperando um número ruim e o CLS deu zero. O motivo: as imagens ficavam em contêineres de altura fixa e carregavam adiadas, então o pulo não chegava a acontecer.

Corrigimos assim mesmo, porque era risco latente: bastaria alguém mexer no CSS do cartão para o problema aparecer. Mas vale o registro contra o alarmismo — a falta de width e height é um risco, não um dano automático. Medir antes de consertar evita gastar o dia no lugar errado.

Quanto isso pesa no rankeamento

Menos do que se vende e mais do que os céticos dizem. É um sinal entre muitos, e serve principalmente como desempate: entre duas páginas igualmente boas para a mesma busca, a experiência conta. Não é o que faz uma página ruim superar uma boa.

O efeito maior é comercial, não de posição: página lenta perde gente antes de ser lida. Essa perda não aparece em relatório nenhum, porque quem desistiu nunca virou uma visita.

Por onde começar: abra o PageSpeed Insights e ignore a nota. Olhe só a seção de dados de campo no topo — se ela existir, é o que o Google enxerga. Se não existir, seu site não tem tráfego suficiente para ser avaliado por ela, e a prioridade provavelmente não é desempenho: é conteúdo que traga gente.

Veja também: a auditoria de velocidade do nosso site e os demais artigos.